17 de julho de 2007

Maria Amélia

Queria poder conversar com você agora, olho no olho. Te arrancar toda e qualquer palavra engasgada nessa garganta. Ler seus olhos como nunca li os de ninguém.
Quando saí de casa aquela noite eu fui bem claro comigo mesmo "vou assim por não querer ninguém", e ao adentrar ao recinto te vi, assim como você me viu, e dali alguns segundos mais e mais continuamos a nos ver, sem nos conhecer.
Tentei desviar o olhar, tentei me entreter com outras coisas... até conversei com conhecidos que para mim ainda são desconhecidos... mas a cada ponto final de uma frase os meus olhos faziam questão de te procurar. Acharam algumas vezes, assim como os seus me acharam também, mas nada muito além disso.
Foi e voltou, passou do lado, eu vi... mas fingi que não. E claro, você também.
Sentei e por ali fiquei, sem saber o que pensar... apenas deixando os olhos seguirem pra onde quiserem, deixando a respiração se alterar a cada cruzada de seus olhos brilhantes.
Hora de ir embora, três ou quatro passos e já estava no caixa esperando a pessoa da frente pagar... foi quando olhei para o lado e lá você estava, vindo em minha direção. Olhei para o outro lado, respirei fundo e pensei "e agora?"... E agora?.. que pergunta mais idiota!
Parou atrás, não disse um "a" sequer, então resolvi olhar... e sim, os olhos brilhantes estavam ali.
Dei um oi, perguntei o nome, troquei mais duas ou quatro informações... bem poucas, rápidas porém essenciais. Bastou.
Eu moro longe, você do outro lado...
Maria Amélia, podemos combinar... Maria Amélia eu posso te buscar...

[estranho como ficção - talvez pq realmente seja uma]

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